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14 outubro 2013

Resenha Livro's: Xógum - Tomo's 1 e 2



Livro: Xógum
Autor: James Clavell (1924 - 1994)
Ed. Nova Cultural
1251 páginas

Ufa! Finalmente terminei esse livro. Foi difícil pois tive que conciliar a leitura deste com uma série de compromissos acadêmicos (trabalhos e mais trabalhos), e esse período de mudanças (casamento, mudança, casa nova, adaptação). Enfim, demorei uns meses pra conseguir concluir estas mais de 1200 páginas. Mas lhes asseguro que sim, valeu muito à pena.

Consegui este livro da forma mais calhorda (e clássica) para um entendedor dos loucos por leitura. "Roubei" este livro da estante da minha ex-sogra (uma devoradora de livros igual a mim) pedindo "emprestado" e nunca mais devolvi.

O livro Xógum se passa em 1600 em um Japão feudal. Conta a saga de um inglês piloto marítimo experiente (Capitão John Blackthorne) que tem o navio naufragado na costa do Japão e tem ele e seus poucos tripulantes sobreviventes como prisioneiros dos japoneses.

Gosto muito de narrativas que falam de adaptação. De choque ou de duas culturas ou de duas pessoas tentando conviver e coexistir apesar das diferenças, e esse livro tem muito disto. Esse piloto inglês vai ter que se adaptar aos costumes japoneses, costumes esses muito diferentes da maneira ociental de ser.

Neste sentido o livro lembra um pouquinho o filme O Último Samurai (EUA - 2003), apenas neste sentido de um ocidental tendo que, na marra, aprender os costumes estrangeiros e, com o tempo, o que é estranho passar a ser admirável e, daí, dá-se o deslumbramento, descoberta e apropriação da cultura para si.

James Clavell teve uma sacada que eu sempre admirei em outros autores. Xógum poderia ser narrado como um livro sobre história, uma vez que muitos dos acontecimentos e personagens realmente tem veracidade histórica, tendo apenas os nomes trocados. Mas, ao invés de criar um livro para se estudar, ele criou um romance em cima da história para que possamos nos entreter e ao mesmo tempo aprender. O livro leva você ao verdadeiro mundo dos Samurais, dos costumes e tradições (e crenças) japonesas. E você, assim como o ocidental inglês, vai adentrando nesta cultura, estranhando tudo no início, e aos poucos vai assimilando toda a filosofia de vida dos japoneses, e acaba por se tornar fã da cultura.

Interessante como os japoneses encaravam questões como morte, sexo, honra, etc. O livro é muito rico em detalhar, através da boca e ações dos personagens, suas crenças e definições para estas e outras tantas questões. Sem contar questões políticas, jogos psicológicos, conspirações, as relações de poder, e por aí vai.

O fato da narrativa ser longa e me cansar um pouco também não vejo como algo negativo. É bom para o leitor ter essa pouca noção do que é o desgaste de uma jornada, onde as coisas não acontecem tão rápidas e objetivas como em filmes de 1h e meia. O massa do livro é realmente lhe colocar dentro desta rotina diária dos japoneses, até que, aos poucos, o exótico e diferente passe a ser para você leitor algo normal, aí você vai se adaptando junto com o próprio personagem.

Na década de 80 este livro virou uma série de tv que fez muito sucesso. Esse livro deveria ser revisitado pelas produtoras pois certamente, com os recursos tecnológicos hoje, esse livro seria uma série espetacular.

Demorou mas terminei este livro chegando às últimas páginas com tristeza por ele acabar, junto com todos os personagens fascinantes. Mariko, a mocinha e heroína do livro ficará com toda sua beleza, inteligência e sabedoria, para sempre gravada em meu coração. A força da mulher japonesa (para o bem e para o mal) é algo interessantíssimo narrado no livro.

Enfim, super recomendo e boa jornada!

Um comentário:

Lorena Guerra disse...

Muito interessante! Os ocidentais ainda tem muitooo que aprender com a bela cultura oriental... Principalmente no quesito do respeito e ao referencial que eles têm à sabedoria dos idosos. Gê, parabéns pelo texto claro e objetivo. Muito bom!