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23 agosto 2011

Simon & Garfunkel: Os namoradinhos da América!


Artista: Simon and Garfunkel
Álbum: Simon and Garfunkel's Greatest Hits
Ano: 1972
Gravadora: Columbia


Não tenho absolutamente nada contra coletâneas. Elas servem como um direto ao ponto de músicas fundamentais de um artista. Juntam em um disco aquelas canções que cronologicamente foram marcantes na construção e solidificação de toda uma carreira.

É bem verdade que geralmente os fãs (e quando eu digo fãs eu quero dizer os de verdade, aqueles que curtem até os B-Sides obscuros de sua banda e artista predileto) tendem a torcer o nariz para coletâneas.

Enfim, coletânea para quem é fã é sempre assunto de polêmica, mas é necessário dizer que tem muitas coletâneas que marcaram minha vida. Como já falei neste blog antes, o primeiro contato que eu tive com o rock foi com a coletânea vermelha dos Beatles que pegava do primeiro disco da banda até o Revolver.

Quem nunca quase queimou o toca cd de tanto ouvir repetidamente o disco Legend do Bob Marley? Ou já teve dias ensolarados regados ao excelente Greatest Hits do Police?

Essa lenga-lenga é só para justificar o fato de, pela primeira vez neste blog, eu escrever sobre uma coletânea. E no caso, uma coletânea desta dupla norte-americana que são filhos legítimos e da gema de Nova York.

Paul Simon e Art Garfunkel representam para NY na música o que Woody Allen representa para NY no cinema.

Muitas de suas canções retratam o cotidiano da cidade com verdadeiras crônicas. Uma fotografia em forma de sons e poesias.

Ambos cresceram na comunidade judaica do Brooklin e se conheceram na escola ainda crianças. Encenaram uma peça juntos, ficaram amigos e criaram uma dupla chamada Tom e Jerry, sendo que, se você der uma boa olhada para a fotografia da capa do disco verá que eles estão mais para Pink e Cérebro.

Fizeram um relativo sucesso na cidade. Cresceram, foram para a faculdade e depois de um tempo retomaram as atividades musicais.

Com toda influencia folk da época, gravaram várias músicas acústicas (dentre elas The Sound of Silence) e Paul Simon, talvez decepcionado com a pouca repercussão de seu trabalho, deixou os EUA e foi ganhar a vida na Europa, mais precisamente na Inglaterra, fazendo muitas apresentações ao estilo um banquinho e um violão por vários barzinhos de lá.

Enquanto isso nos EUA, o produtor Tom Wilson pegou a versão até então acústica de The Sound of Silence e adicionou bateria, baixo e guitarra à música. E daí surgiu o grande sucesso que provavelmente foi um dos pontapés iniciais da onda de folk-rock que, num futuro muito próximo, incendiaria toda aquela geração 60/70.

Paul Simon, voltando aos EUA, deparou-se com sua música sendo exaustivamente pedida e tocada nas rádios. Retomou a parceria com Garfunkel e, aproveitando o sucesso, gravaram o álbum devidamente intitulado The Sound of Silence (1966) composto tanto de sons puramente acústicos como ao estilo folk-rock.

Assinaram a trilha sonora de um filme sucesso de bilheteria chamado A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate - 1968) lançando as músicas The Sound of Silence e Mrs. Robinson aos ouvidos do mundo.

Num momento histórico com o planeta prestes a explodir naquele final da década de 60 cheia de revoluções culturais - a guerra fria gelando a espinha dorsal da juventude com a perspectiva de uma guerra atômica e o sangue correndo solto no Vietnã - Simon e Garfunkel cantaram aquela geração com suavidade e beleza letras que ficaram marcadas na memória e no coração de todos os que viveram aqueles anos loucos e inesquecíveis. 

Art Garfunkel e Paul Simon 


É praticamente impossível rodar qualquer filme que retrate aquela época sem uma música deles. Daí filmes como Forrest Gump (1994) e Quase Famosos (Almost Famous - 2000) que não me deixam mentir.

Entre brigas e reconciliações (como é de toda amizade), esta dupla deixou registrados cinco álbuns que certamente irei ter o prazer de degustar e escrever aqui no Mundo Facundo futuramente.

Esta coletânea retrata seus melhores momentos com alguns dos sucessos em versão ao vivo.

Obviamente, como é de toda coletânea, muita coisa boa ficou fora. Mas as que estão no disco (principalmente para aqueles que querem ter um apanhado geral da obra da dupla) tá de bom tamanho.

Simon e Garfunkel entraram em minha história com seu show ao vivo em NY, no Central Park em 19 de setembro de 1981. Faltavam menos de três meses para eu nascer, e lembro que minha mãe ouvia esse disco o tempo todo e cresci com ela falando que esse show foi feito para celebrar o meu nascimento. E eu acreditava piamente nisso!

Isso sempre ficará profundamente tatuado em minha memória.

FAIXA A FAIXA:

1 – Mrs. Robinson (Paul Simon)

Gravada originalmente para o filme A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate – 1968), esta canção rendeu a dupla dois Grammys em 1968 nas categorias: melhor gravação e melhor desempenho nos vocais. E, até então foi o segundo grande sucesso da dupla depois de The Sound of Silence ficando aproximadamente duas semanas no topo do Hot 100 da Billboard.

A música trata da Sra. Robinson, uma típica religiosa fundamentalista americana, que nesta crônica, é a caricatura da mulher de família cheia de segredinhos e submundos por baixo dessa cobertura devota de uma mulher de sociedade acima de qualquer suspeita.

Hide it in a hiding place
Where no one ever goes.
Put it in your pantry with your cupcakes.
It's a little secret,
Just the Robinsons' affair.
Most of all, you've got to hide it
from the kids.

E, se isso não bastasse, a letra ainda dá uma alfinetada no fato de ser exatamente este tipo de gente que determinam os caminhos políticos do país.

Sitting on a sofa
On a Sunday afternoon,
Going to the candidates' debate,
Laugh about it,
Shout about it,
When you've got to choose,
Every way you look at it you lose.

2 – For Emily, Whenever I May Find Her (Paul Simon)

Você já passou pela experiência de ter um sonho maravilhoso com a pessoa que você ama, e ao despertar tem a alegria de perceber a pessoa dos teus sonhos dormindo ao seu lado?

Eu já!

E realmente é algo quase indescritível. Digo quase porque Paul Simon conseguiu descrever isso nesta linda música que, suave e forte, penetra na alma, nos arrebatando ao mais sublime sentimento.

Essa música faz parte do álbum Parsley, Sage, Rosemary & Thyme (1966), e aparece nesta coletânea em versão ao vivo.

And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears

3 – The Boxer (Paul Simon)

Como bom cronista, Paul Simon escreveu essa letra, inspirada em leituras da bíblia onde, em alguns textos, viu refletida a perspectiva de Deus a favor dos trabalhadores e excluídos. 

Somou isso a algumas críticas que vinha recebendo sobre seu trabalho da imprensa americana e narrou nesta canção a história deste personagem (o lutador) que como todos os demais lutadores nesta vida, apesar das intempéries, da pressão e dos adversários que se levantam, continuam na luta diária.

Simon mistura a ideia do ringue à própria vida! O que para mim, marca profundamente minha alma pelo fato de eu estar em um trabalho que envolve alguns riscos.

Trabalhando na semiliberdade de jovens e adolescentes infratores aqui em Fortaleza como educador, ando pensando muito sobre a diferença de ter medo e ser covarde. Ter medo não é problema, e a coragem implica em se enfrentar os problemas em detrimento dos medos interiores. O que é bem diferente da covardia, onde já é o medo mandando no estilo de vida da pessoa.

Então aprendo que, apesar do medo e do perigo, temos que respirar fundo e seguir em frente!

In the clearing stands a boxer
And a fighter by his trade
And he carries the reminders
Of ev'ry glove that layed him down
Or cut him till he cried out
In his anger and his shame
"I am leaving, I am leaving"
But the fighter still remains

4 – The 59th Street Bridge Song (Feelin’Groovy) (Paul Simon)
Sabe aquelas manhãs ensolaradas em que você acorda feliz da vida dando bom dia para tudo? 

Pois é, quando isso acontecer, ligue o som e coloque esta canção a todo volume!

Outra versão ao vivo que entra nesta coletânea.

I've got no deeds to do, no promises to keep
I'm dappled and drowsy and ready to sleep
Let the morning time drop all its petals on me
Life I love you, all is groovy

5 – The Sound Of Silence (Paul Simon)

Primeiro grande sucesso da dupla, The Sound Of Silence ficou conhecido no mundo por, além de ser um dos pontapés iniciais do folk-rock, ainda estar na trilha do filme A Primeira Noite de Um Homem, levando a dupla nova-iorquina ao conhecimento e a apreciação dos ouvidos em todo o mundo!

6 – I Am A Rock (Paul Simon)

Esta também foi uma das acústicas que foram transformadas em folk-rock para entrar no álbum The Sound of Silence e seguiu no rabo do foguete desta tornando-se também um grande sucesso.

Trata-se de um genuíno intelectual urbano. Fechado, introspectivo, onde só encontra verdadeira afinidade na solidão do quarto tendo como companhia livros e poesia.

Eu mesmo passo por momentos de reclusão onde não quero ver ninguém. Preciso da solitude para, digamos, recarregar minha mente, oxigenando-a com muita música e literatura, para aí sim, depois de recarregado, gastar minha alma com as outras pessoas.

Porém, no caso da música, fala de um cara que tem isso como um estilo de vida.

I have my books
And my poetry to protect me;
I am shielded in my armor,
Hiding in my room, safe within my womb.
I touch no one and no one touches me.
I am a rock,
I am an island.

And a rock feels no pain;
And an island never cries.

Conheço pessoas assim. E sinto certa pena. Pois, a princípio, realmente há certo conforto, uma vez que, já que não me exponho para ninguém, corro pouco risco de ser magoado.

Ao mesmo tempo, essa zona de conforto leva à latência emocional que impede o crescimento. 

Somos frutos de nossos erros e acertos. E até a dor pode gerar aprendizado em quem está disposto a ver a vida como uma grande sala de aula.

As experiências ruins devem gerar em nós prudência, e não medo de viver e se relacionar com os outros.

7 – Acarborough Fair / Canticle (Paul Simon & Art Garfunkel)

Agora a dupla adapta uma música do cancioneiro popular inglês onde se conta a história da feira de Acarborough, muito popular na época da Inglaterra medieval.

Tratada aqui numa versão acústica e com a voz da dupla levando a melodia a atmosferas épicas! Na  letra tem o trecho que dá nome ao título do segundo álbum da dupla Parsley, Sage, Rosemary and Thyme (1966).

8 – Homeward Bound (Paul Simon)

Outra canção do álbum PSRT e que, de forma magistral, consegue traduzir numa letra inesquecível como é a vida de um músico na estrada.

Hoje até um festival mediano é cheio de superprodução. Porém antes os músicos, mesmo no auge, tinham uma rotina estafante de shows, rodava em vãs apertadas e se hospedavam em muitos hotéis com poucas estrelas. Motivo por muitos sucumbirem às drogas e ao álcool para suportar o rojão de muitos shows.

9 – Bridge Over Troubled Water (Paul Simon)

Se existe uma canção que é capaz de quebrar o mais embrutecido coração, essa canção é Bridge Over Troubled Water, música que dá nome ao álbum lançado em 1970.

Composta numa época bastante conturbada para a dupla, uma vez que Garfunkel estava em muitos outros projetos paralelos que não a música e que, naturalmente, isso afetava bastante a amizade da dupla. E essa música, dizem, Paul Simon fez para o amigo e parceiro.

Ela foi muito impactante em minha vida numa época bastante obscura, cheio de incertezas e inseguranças. E esta deliciosa canção me veio como a voz do próprio Deus me confortando.

If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind

10 – America (Paul Simon)

Não tem uma única vez que eu escute esta canção e não tenha calafrios. Uma música que encaro como um quadro pintando daquela época cheia de idealismo, onde muitos jovens saíam de casa, protestando contra os pais e o sistema, indo numa longa jornada em busca da América.

Todo nostálgico da década de 60 deve emocionar-se ao som desta música. E os que não viveram aqueles bons tempos, mas mesmo assim sonham com aquele momento (como eu!) deve fechar os olhos e sonhar! Sonhar com o verão do amor!

11 – Kathy’s Song (Paul Simon)

Uma canção que certamente é para um amor, ou um dos amores, que Paul Simon deixou na fria e cinzenta Inglaterra.

12 – El Condor Pasa (If I Could) (Paul Simon – J. Milchberg – D. A. Robles)

Aqui você escuta Paul Simon dando asas a sua grande curiosidade por sons de outras culturas (no caso o Peru), com sua versão em inglês da canção do peruano Daniel Robles Alomia. E como toda música peruana, aborda o desejo do homem por um estilo de vida mais natural e menos urbana.

I'd rather be a forest than a street
Yes, I would
If I could
I surely would

I'd rather feel the earth beneath my feet

13 – Bookends (Paul Simon)

Linda música que dá nome ao quarto álbum de estúdio da dupla. Uma suave canção que fala sobre um tempo de inocência que quase todos nós vivenciamos. Essa eterna nostalgia do passado presente na memória de muitos de nós. Como um sonho que já passou.

Preserve your memories, they're all that's left you...

14 – Cecilia (Paul Simon)

Música alegre que fala de uma garota que certamente fez Simon sofrer horrores por conta, digamos, dela ser daquelas que, como diria Raul Seixas:

Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais.

Cecília representa um pouco desta mulher contemporânea que, por ser independente, arrojada e feminista, acabou por absorver do homem a poligamia que ela tanto lutava contra.

Tipo - À partir de agora os homens vão beber de seu próprio veneno!

Making love in the afternoon with Cecilia
Up in my bedroom
I got up to wash my face
When I come back to bed
Someone's taken my place

Claro que, segundo a música, para a alegria do homem de malandra, ela volta pra casa e ama-o novamente.

E ele acredita.

A PREDILETA:

Difícil escolher a predileta de uma coletânea recheada de clássicos.

Porém, hoje mais uma vez vou apelar para o cinema, que é responsável por muitas de minhas descobertas musicais.

No caso, acho que essa é minha cena preferida no cinema.

E digo mais: cena predileta de meu filme predileto!

Trata-se de Quase Famosos (Amoust Famous - 2000) do meu (também) diretor predileto: Cameron Crowe.

Na cena antológica, como era muito comum na década de 60, a filha chega para a mãe e diz que vai sair de casa. E o motivo dela sair de casa está na canção America de Simon and Garfunkel, do álbum Bookends.

Então, à partir daí, a música toma conta da cena.

Em seguida a filha diz para o irmão mais novo que, embaixo da cama tem um presente que o libertará. E quando ele entra no quarto e olha embaixo da cama (bingo!) encontra uma bolsa recheada de discos clássicos do rock!

E para saber como aqueles discos irá mudar a vida dele você vai ter que ver o filme!

Então deixo vocês ao som de America!


12 comentários:

Anônimo disse...

Fala cara,

Ficou massa a resenha, muito bem escrita e com uma análise muito bem elaborada das músicas. Até o video no final ficou massa! Esse filme é muito bom mesmo.
Aliás, deixa eu te dizer: o Yes fez uma versão tb de America. Depois tu vai atrás :P

Muito bom o texto, parabéns!
Abraços,
- Ricardo

Paula Patricia disse...

precisa escrever mais sobre música! muito bom!

Cicero do Vale disse...

The Soung of Silence - The Sound of..., Jorjão dá uma revisada. Quem não conhece a música vai dizer o nome errado! Excuse me, dude!

Dan disse...

Muito bom teu
estou te seguindo. Se puder me visite.

Grande abraço, e sempre estarei aqui.
Bom fim de semana.

Dan.

Mima disse...

Pois então. Deixei um comentário pra ti lá, abaixo do teu. Saudade de vc, meu amigo...

Muito obrigada pelas palavras =)
Gosto que só de vc.

Fica com Deus!
Um beijãozão.

Adriana disse...

Texto maravilhoso, Geo!
Parabéns!

Beijão!

MarioBR disse...

Eu AMO Simon and Garfunkel
soh isso que tenho a dizer
eles são Fenomenais
Amo a voz deles

Crístenes Costa disse...

Amo essa dupla, para mim Paul Simon é o melhor compositor que já andou sobre essa terra. Músicas como The Boxer, I'm a Rock e For Emily... me fizeram muito feliz. É bom saber que há pessoas que assim como eu também gostam deles.

Lucas disse...

Tenho essa coletânea em vinil.

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