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16 agosto 2013

Resenha CD's: Neil Young & Crazy Horse - Live Rust (1979)



Banda: Neil Young & Crazy Horse
Álbum: Live Rust
Ano: 1979
Gravadora: Reprise Records

Fazia um bom tempo que queria escrever sobre alguma coisa do Neil Young. Esse coroa, que é uma das maiores lendas vivas do rock, que teve uma das discografias mais consistentes e marcantes da década de 70, e que, com todos os seus altos e baixos, sempre conseguia, como uma fênix, ressurgir das cinzas com algum álbum maravilhoso, é hoje o músico que eu mais escuto. Talvez ele seja o único cara que ainda me faz tocar guitarra imaginária (isso quando estou sozinho em casa, obviamente).

A primeira vez que eu ouvi falar desse cara foi durante a terceira edição do Rock In Rio, lembro de todo o burburinho na mídia especializada sobre o show desse cara. Uma lenda, o pai do grunge, Kurt Cobain citou a letra dele em sua carta de suicídio, putz, onde esse cara andava que eu nunca ouvi falar dele? - pensei.

Infelizmente a Globo, na época, transmitiu apenas duas músicas dele, mas isso já foi o suficiente para me arrebatar. Lembro muito nitidamente aquele bando de velhote cheios de atitude mandando ver tocando "Sedan Delivery". E na semana seguinte, quando a revista Bizz chegou às bancas, eu procurei o nome do Neil Young na relação top 10 dos melhores shows eleitos pelos jornalistas e não encontrei. Embaixo da lista tinha apenas um asterisco com a mensagem:

 *Neil Young não conta porquê Neil Young é Deus!

E daí comprei o álbum Harvest (1972) e esse músico nunca mais saiu da minha vida nem de meus ouvidos...

Enfim, hoje vou escrever um pouco sobre esse que é considerado um dos melhores registros ao vivo de rock que se tem notícia. 

No final da década de 70, Neil Young lança o projeto Rust que consistia basicamente em gravar um álbum chamado Rust Never Sleeps (1979), e deste disco registrar em filme/show. Sendo que Rust Never Sleeps foi gravado ao vivo, mas em estúdio tiraram o som do público (que mesmo assim você escuta bem baixo se ouvir o disco com fones de ouvido num som bem alto).

Assim como no Rust Never Sleeps, a primeira parte desse show é acústica com canções lindas e singelas (com direito a gaita e tudo que um fã de folk tem direito) como "Sugar Mountain", "I Am A Child", a linda "Comes a Time", a clássica "My My, Hey Hey (Out Of The Blue)" e a bela e triste "The Needle And The Damage Done" tocada debaixo de uma tempestade, enfim, uma delícia de ouvir.

Já na segunda parte o rock come solto, com um Neil Young e seu Crazy Horse hipnotizando o público com "Sedan Delivery", "Powderfinger", a clássica do álbum Zuma (1975) "Cortez The Killer", "Cinnamon Girl", "Like a Hurricane" e terminando com "Tonight's The Night".

Esse registro faz um passeio por quase todos os álbuns que Neil gravou até então. Para quem quer conhecer ele de uma forma mais geral recomendo demais este disco, até porque ele tocando com o Crazy Horse tem sempre um tempero especial.

Neil Young & Crazy Horse

Depois deste disco ele entrou numa fase bastante infrutífera em sua carreira, se deixando levar pela tecnologia de estúdio oitentista, deixando de lado suas raízes e fazendo discos tão ruins que chegou a ser processado pela gravadora por "falta de criatividade". É sério, podem pesquisar!

O cara consegue ressuscitar na década de 90, e até hoje ele e seus inseparáveis amigos do Crazy Horse ainda conseguem, apesar da idade, serem férteis como garotos cheios de virilidade musical. E futuramente espero ter o prazer de escrever sobre estes inúmeros álbuns.

A PREDILETA:

Muita gente que conhece Neil Young vai torcer o nariz pela minha escolha. Tem clássicos neste Live Rust que eu só gostaria de destacar quando comentasse os álbuns de estúdio. Apesar de viajar na parte elétrica deste show, gostei muito da acústica "Lotta Love" - uma música bela, singela, extremamente setentista, com direito a lálálá's e huuhu's como refrão. Ela é de um disco dele chamado Comes A Time (1978) e que muitos consideram uma obra mediana na carreira do cantor. Enfim, Neil Young consegue ser musicalmente selvagem como um índio desbravador e, ao mesmo tempo, delicado como a sombra de uma árvore na beira de um riacho, que é o caso desta música.


Ouça no vídeo abaixo a linda "Lotta Love":

2 comentários:

Patrícia Moura disse...

massa, mah! não conheço muito de Neil Young, só as basiconas. Vou atrás de conhecer mais, pq tu me convenceu,ó!
Incrível como tu consegue contar a biografia do cara e misturar à discografia de um jeito que não cansa de ler, é objetivo, resumido, e convincente.

Groucho KCarão disse...

Não conheço esse disco, mas curti ler. Tu escreve boas resenhas, mas melhores ainda são tuas narrativas. hehe Parabéns, cara! Continue assim. {: