Wilson's House
Se eu tiver a sorte de chegar a ter uma boa velhice, e estiver na minha cadeira de balanço fumando meu cachimbo olhando para o tempo, afogado em pensamentos e lembranças, certamente uma dessas doces lembranças que terei será dos momentos que passei em companhia da Família Wilson no Sítio Trapiá, esse lugarzinho perdido no meio do Nordeste do Brasil, região rural de Assú, à 45Km de Mossoró (RN).
E foi nesta região de onde tenho tantas boas recordações e amigos eternos que eu e Paulo Wilson, no carnaval deste ano (2011) que passei por lá, compomos em parceria uma música que homenageia um senhor de mais de oitenta anos chamado Zé de Tonho que, com essa idade, tem gás de sobra para animar os forró’s que a comunidade frequentemente promove.
Paulo Wilson
Essa música fala basicamente desse fascinante senhor e da beleza que está no envelhecer! Beleza esta hoje tão desprezada por muitos desta geração que olham a velhice como uma maldição da existência.
Paulo Wilson é filho de Mike e Davina Wilson, missionários ingleses que há mais de vinte anos trabalham na comunidade Sítio Trapiá.
E quando eu falo trabalhar não me refiro às ações de muitas missões gringas aqui no Brasil para implantação de igrejas. Ao contrário, eles vieram no intuito de trabalhar junto à comunidade local para, com ações de conscientização na área social, educacional e agrária, tentar melhorar sensivelmente a qualidade e expectativa de vida dos moradores locais.
O casal têm três filhos: Débora, Paulo e Julia.
Família Wilson
Deb, Davina, Mike, Paulo e Julia
Estou lendo um livro chamado Cartas entre Freud e Pfister, que são as cartas trocadas pelo pai da psicanálise e um pastor protestante. Aparte todo o embate ideológico que os dois travavam, é comovente ver que, em detrimento disso, existia uma grande amizade entre os dois. Estou citando esse livro pelo fato de, em uma das cartas, Pfister declarar:
“Se me perguntassem sobre o lugar mais aprazível da terra, eu responderia: informem-se na casa do professor Freud!”
Faço desta frase de Pfister a minha para os Wilson. Eles que sempre em minhas visitas me acolhem tão bem, e com os quais aprendi e aprendo tanto!
Gabriel no triângulo, eu na percussão, Zé de Tonho na Viola e João da Baleia na sanfona
Animando o "risca faca"!
Infelizmente não se têm (pelo menos por enquanto) um registro da música em áudio. Mas deixo registrado abaixo a letra. Ela tem um formato bem simples, cantado quase como uma “embolada”, mas como compositor de primeira viagem me dou por satisfeito!
Abraço a todos!
ZÉ DE TONHO – Paulo Wilson & George Facundo
Zé de Tonho já tá véi
Num pode mais jogar bola
Num pode mais jogar bola
Se correr por um minuto
Fica com a língua pra fora
Vocês sabem como é
A velhice é de lascar
Dói os ossos, dói o corpo
E esporte nem pensar
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço
Cabra novo vê um véi
E faz logo palhaçada
Dizendo que velho é frouxo
E num serve mais pra nada
Eu escuto coisa assim
Fico logo irritado
E vou mostrar pra voçê
Que ser velho num é pecado
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço
Você fala sem respeito
Que nunca quer ser avô
Pois deve de ser muito triste
Num sentir fogo do amor
Sinto muito lhe dizer
Mas você tá enganado
Pois depois lá do viagra
O negócio tá animado
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço
O Velho tem caminhada
Tem vida e alegria
É o melhor pra ensinar
Amor e sabedoria
Ser velho é para poucos
Né pra qualquer vagabundo
Vá chegar aos oitenta
Com tanta ruindade no mundo
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço
Homem como o Zé de Tonho
Todos têm que respeitar
Pois com a idade dele
Faz forró em Trapiá
Queria eu ser como ele
Que mesmo não sendo atleta
É admirado por todos
Pela alma de poeta
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço
O jovem vem se amostrá
Sabem ler e escrevê
E pensam que com os velhos
Não tem nada o que aprender
O segredo de uma vida
Não é ser ligeiro e forte
Tem que ser muito sabido
Pra poder enganar a morte
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço
De agora em adiante
Mude seu jeito de ver
E aprecie com respeito
A benção que é envelhecer
A gente apresentou
Uma rima pra vocês
Feito por um cearence
Junto com um lord inglês
(Refrão 2x)
O seu nome é Zé de Tonho
Esse cabra é talentoso
Tem alma de forrozeiro
É poeta desde moço



