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10 outubro 2010

Há um passo do paraíso! Ou não.


Livro: Verdadeira Paz e Segurança
Subtítulo: Como Poderá Encontrá-la?
Autor: Vários
Editora: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados
Páginas: 189

A religião Testemunhas de Jeová foi fundada na década de 1870 por Charles Taze Russell na Pensilvânia (EUA).

Apesar da atuação, digamos, discreta, as Testemunhas de Jeová agrega mais de 7 milhões de seguidores em todo o mundo.

Segundo a Wikipédia, eles adicionam aproximadamente 5 mil membros a cada semana.

Entretanto, quando falei em atuação discreta, não estava sendo irônico. É discreta mesmo.

Basicamente eles tem o estilo de evangelização clássica de algumas seitas cristãs. O método do de porta em porta.

Se você mora ou morou em residências fora das muralhas de condomínios fechados, certamente já deve, pelo menos uma vez, ter recebido a visita de pessoas que confessam essa religião.

Charles Taze Russell
Testemunha nº 1

Eles tem algumas peculiaridades.

Se confessam como cristãos não-trinitários; por não aceitarem, ao contrário das ditas religiões cristãs oficiais, que Deus é três pessoas em um só (trindade seria o termo).

E, assim como as demais religiões, acreditam que só eles tem o monopólio da verdadeira interpretação e práticas da bíblia. Tanto que eles tem sua própria tradução da bíblia, por acreditar que as religiões desprezam o verdadeiro nome de Deus, que segundo eles tem o nome de Jeová. Daí o nome Testemunhas de Jeová.

Literalmente, se você for adaptar o nome de Deus, que está na bíblia hebraica, para as letras oficiais do ocidente, você vai ter um tetragrama de quatro consoantes desta forma que se segue:

YHVH

YHVH, na nossa língua, e até para um judeu ortodoxo, é praticamente impronunciável. Reza a lenda que os judeus levavam tão à sério o mandamento Não tomarás o nome de Deus em vão que, durante séculos, nenhum judeu ousava pronunciar o nome Dele. Daí a pronuncia se perdeu.

O nome Jeová é apenas uma destas tentativas de se traduzir o nome de Deus na linguagem ocidental. Claro que isso só foi possível depois de adicionar vogais ao tetragrama. Outras possibilidades de pronuncia seria Javé ou Iavé.

Os Testemunhas de Jeová sempre foram perseguidos em algumas culturas por tomarem posturas polêmicas devido a sua forma literal de interpretar e praticar a bíblia.

Dentre as práticas mais estranhas está a de não participar de lutas armadas, negar-se veementemente a doar ou receber transfusões de sangue, a não se posicionarem politicamente, dentre outras coisas.

- Eu vou beber seu saaaangue!!!
- Não pode moço! Eu sou uma Testemunha de jeová!

A escatologia (estudo das profecias na bíblia e seu cumprimento) das Testemunhas de Jeová também tem muitas diferenças na interpretação. E é sobre isso que trata boa parte do presente folhetim religioso Verdadeira paz e Segurança, que veio as minhas mãos (adivinha!?) numa destas visitas que eles fazem periodicamente nas casas, no caso, na minha casa.

Fica claro no livro (o que já era de se esperar) que a verdadeira paz e segurança só se alcança se houver por parte da pessoa uma auto entrega a Jeová de corpo e alma, acompanhado (obviamente) de toda instrução que os Testemunhas de Jeová tem a oferecer.

E para isso, no livro, eles usam até alguns argumentos retóricos razoáveis. Como o fato de nunca um governo humano ter conseguido plenamente estabelecer a paz e oferecer segurança a ninguém.

Eles encaram o mundo como uma causa perdida, e leva o leitor a pensar que só um reino estabelecido por Jeová é capaz de promover esse paraíso social.

No livro, eles falam que este mundo tal qual conhecemos e vivemos está fadado à destruição. Assim como na história de Sodoma e Gomorra (livro de Gênesis), Jeová vai esgotar sua infinita paciência, destruir tudo e recomeçar de novo. E todas as calamidades que ocorrem hoje como fome, guerras, epidemias, violência e desastres naturais são sinais de que esse Dia D está se aproximando.

Mas calma, não se desespere! Segundo o livro Verdadeira Paz e Segurança, um grupo de 144 mil sortudos irão sobreviver a todos estes cataclismas apocalípticos e, a partir deles, Deus (ou melhor, Jeová) irá estabelecer seu reino e a terra voltará a ser um paraíso.

Óbvio que estes 144 mil são Testemunhas de Jeová. Coincidência não!?

No livro, há gravuras sobre como vai ser esse paraíso. E é exatamente como o senso comum imagina. Muito verde, paisagem natural deslumbrante, e pessoas de todas as raças vivendo em plenitude e harmonia. Até os bichos vão viver assim. No livro, há gravuras de leões deitados numa linda grama ao lado de ovelhas. Crianças inocentemente brincando com serpentes, etc.

Paz total.

 O Paraíso...
Segundo As Testemunhas de Jeová e alguns grupos de vegetarianos radicais.

Então, resumidamente (parece piada diante do tamanho desta resenha) eles são um grupo, que como todos os outros grupos religiosos, acham que tem A Revelação e fazem de tudo para mostrar essa luz para as outras pessoas.

O louvável de tudo isso é que eles, no livro, não medem palavras. Deixam claro para as pessoas o que eles realmente pensam sobre os mais diversos assuntos como sexo antes do casamento, homossexualidade, bebidas alcoólicas, festas, sociedade, relacionamento homem e mulher etc. Eles tomam a postura do tipo - nós pensamos isso, agimos desta forma, aceita quem quiser!

Há alguns anos eu acharia um absurdo eles acharem que no mundo só se salvam 144 mil, de toda uma multidão de cristãos que existem.

Já hoje, devido a minha fase de total pessimismo quanto ao dito cristianismo que se pratica pelas diversas religiões espalhadas por este mundo afora, acho que 144 mil já é otimismo até demais.

Então, vamos ficar na torcida para que, mesmo Jeová estabelecendo que só 144 mil vão cair em suas graças, Ele possa ter um coração de mãe, onde sempre cabe mais um.

De qualquer forma, já comprei meu ventilador portátil, porque, segundo dizem os mesmos Testemunhas de Jeová, lá embaixo deve fazer um calor desgraçado.

E que Deus, ou Jeová, ou Iavé, Alá ou O Cara lá de Cima tenha um pingo de piedade de nós, pobres profanos.

Amém!

24 setembro 2010

Um clássico infanto-juvenil moderno



Livro: Harry Potter e a Pedra Filosofal
Autora: J. K. Rowling
Editora: Rocco
Páginas: 263

Harry Potter é, sem sombra de dúvida, um grande marco na literatura mundial. E nem preciso ir muito longe para demonstrar isso. Se você for na página de loggin do site skoob (site de relacionamento similar ao orkut cujo foco é a literatura - www.skoob.com.br) e ver a lista de mais lidos, vai perceber que Harry Potter e a Pedra Filosofal está no topo.

E se você ler as dezenas de resenhas no site Skoob sobre este livro, vai se assombrar pelos inúmeros testemunhos de pessoas dizendo que tomou gosto pela literatura depois de ler Harry Potter.

E isso é, no mínimo, curioso!

E realmente pude perceber o porquê.

A história é muito bem contada, você vai passando as páginas devorando cada frase. Eu mesmo li umas 150 páginas em uma sentada. E concluí o livro em menos de dois dias.

J. K. Rowling

Obviamente, não é o melhor livro que eu já li na vida. E sei que muita gente tem certo pré-conceito com ele por conta do forte apelo publicitário alimentada pela industria do entretenimento, e enorme giro de capital que está em torno da marca Harry Potter devido ao grande sucesso da série no cinema.

Mas, como dizem os mestres das obviedades: - Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa completamente diferente!

Então, recomendo Harry Potter e a Pedra Filosofal a todos os amantes da leitura. E acho que daqui a umas décadas essa série de livros vai ser tão lembrada quanto clássicos da literatura universal como O Senhor dos Anéis (estou falando de popularidade e não de qualidade ok!? Digo logo antes que eu seja julgado por blasfêmia), Crônicas de Nárnia, Alice no País das Maravilhas, etc.

Na foto, Harry Potter numa calourada da Grifinória

Não vejo à hora de me deleitar nos demais livros da série. Será que J.K. Rowling conseguirá manter o mesmo fôlego na narrativa? Veremos! 

Então, que todos vocês possam dar asas (ou vassouras) a imaginação e voar alto nas aventuras desta série, na companhia deste simpático aprendiz de bruxo.

Que foi?

Ainda não conseguiu sair do chão?

Então vou lhe dar uma mãozinha:

- Vingardium Leviosa!

E tenha uma ótima viagem!

20 setembro 2010

Liturgia, apenas... Ou, A Santíssima Burocracia.


Livro: Constituição Sacrosanctum Concilium Sobre a Sagrada Liturgia
Subtítulo: (Coleção A voz do papa) Concílio Ecumênico Vaticano II
Autor: Paulo Bispo, servo dos servos de Deus, juntamente com os padres do concílio para perpétua memória.
Editora: Paulinas
Páginas: 74

Não que eu esperasse mais deste livro do que o título propõe. Já sabia que se tratava apenas de um manual informativo sobre liturgia católica.

O presente manual foi feito após o Concílio Vaticano II, ocorrido entre 1961 e 1965.

Dentre tudo debatido neste período, um dos destaques foi a necessidade de adaptar a liturgia da igreja pensando nas mais diversas culturas e línguas.

Sendo que, de todas as medidas, o grande carro chefe de tudo foi, finalmente, eles perceberem que a liturgia missal deveria ser celebrada na lingua do país onde a missa é realizada (antes era celebrada em Latim).

Um avanço, sem sombra de dúvida.

Mas liturgia... Bem, esta palavra não me entra de jeito nenhum.

Claro que a liturgia cristã são atos simbólicos para relembrar os mais diversos feitos de Jesus. Acho historicamente legítimo. E até certo ponto, dependendo do grau de instrução das pessoas, tem lá seu caráter didático. 

Porém, não podemos comparar isto ao verdadeiro espírito livre e religiosamente rebelde que o Mestre carpinteiro de Nazaré propunha na época que veio.

Tanto que, um dos grandes motivos por ele (Jesus) ter sido brutalmente assassinado foi exatamente o fato de ir contra os dogmas litúrgicos que os judeus com tanto zelo defendiam.

Jesus pregava a espiritualidade livre, que podia ser encontrada em qualquer lugar; num bate papo informal com alguém que cruzava seu caminho; na solidão dos desertos e montes; na convivência com pessoas de todas as classes sociais, etc.

Jesus só foi umas três vezes ao templo de Jerusalém depois que iniciou seu ministério. Nas duas primeiras visitas quase foi apedrejado, na terceira o crucificaram.

Isso, no mínimo, quer dizer alguma coisa não é?

Ao que parece, Jesus e religiosidade não se batiam muito bem.

Dois mil anos depois, vemos as igrejas institucionais protestantes e católicas transformarem a mensagem de Jesus naquilo que ele mesmo combateu quando estava peregrinando por esta terra.

Ceia, batismos, confessar pecados, conversar com Deus, a oração do Pai Nosso, o Templo do Espírito sendo nossos corpos e não templos feitos por mãos humanas. Tudo isso transformado em rituais e símbolos litúrgicos novamente.

Quanto ao presente manual de liturgia, para quem é católico ou para quem quer conhecer mais sobre os mais diversos símbolos ritualísticos da celebração da missa, é recomendável ler para que, ao participar, você tenha pelo menos consciência daquilo que é representado nos ritos.

Para mim, esta leitura reforçou mais a idéia de que a religião, como um todo, mais burocratiza do que aproxima o homem à Deus.

Jesus, mais do que ninguém, sabia disto e proclamava esta verdade aos quatro ventos. E todos nós sabemos que fim ele e seus discípulos tiveram.

Paz a todos!

E o sincero desejo de menos religião e mais espiritualidade!

Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles.
Evangelho de Mateus 18:20

Assista o vídeo abaixo e veja porque eu amo religião: 



Relevem a ironia cretina...


*    *    *    *

Pessoal, meu grande amigo (e também blogueiro) André Rodrigres http://avidadentrodeumafantauva.blogspot.com/, além de escrever é também desenhista.

Ele homenageou meu blog com um desenho muito legal que faço questão de publicar aqui no Mundo Facundo! Me sinto honrado cara! Muito obrigado!

Abaixo, a homenagem do André ao blog Mundo Facundo:


Abraço a todos!

31 agosto 2010

Livro teen temperado com criatividade para leitores adeptos do virtual.



Livro: romeu@julieta.com.br
Autora: Telma Guimarães
Editora: Saraiva
Páginas: 79

O termo teen é usado para determinar humanos habitantes das zonas urbanas com idade entre 10 e 17 anos.

Este público específico é responsável por boa parte do que sai de capital ($$$) das carteiras dos humanos chamados adultos (período que geralmente começa após os 25 anos e termina num infarto fulminante em torno dos 70).

Na relação entre estas duas fases da vida dos humanos existe a chamada Indústria do Entretenimento, que tem por função vital induzir os teens a comprar um determinado produto num dia x e, obrigatoriamente, convencê-lo de que o produto é ultrapassado um mês depois.

Daí se forma a seguinte equação:

xd + 30d = ei mãããeeeeeee! Meu celular não filma em HD! Que drooooga! Quero celular que filma em HD!

O nome deste ciclo contínuo de adquirir algo e achá-lo descartável depois de um mês chama-se Consumo.

A principal arma da Indústria do Entretenimento para fazer os teens infernizarem a vida dos adultos chama-se Propaganda. A Propaganda usa de vários elementos para atingir seus obtivos. Dentre os quais se destacam: redes de televisão, rádios, eventos, propagandas urbanas, cinemas, mulheres gostosas trangênicas, e claro, não podemos esquecer o novo grande elemento desse time dos sonhos, a Internet!

p.s.-  sobre o parágrafo acima: a internet, assim como mulheres gostosas trangênicas, é veículo de comunicação de massa à tempos recentes (menos de 15 anos). Claro que a propaganda, desde os primórdios, usava mulheres. Mas ao contrário das trangênicas, elas eram só gostosas.

Abaixo, típico teen sobriamente interligado:



Continuando...

Diante deste bombardeio de informações e apelos com vida curta de um mês, onde ficam os livros?

Vou logo direto ao ponto porque estou aqui para comentar um livro.

Pelo menos é esta a proposta.

E toda esta baboseira pseudo-esclarecida que discorri no começo desta resenha é tão somente para perguntar:

Por que aqui no Brasil ler livros ainda é algo tão exótico, cult e diferente?

E o por quê que, para o europeu, por exemplo, ler é tão normal quanto jogar xadrez, transar, suicidar-se, beber cerveja quente, fazer necessidades fisiológicas, gostar de Franz Ferdinand ou manter a filha em cativeiro no porão de casa por 23 anos?

É verdade que muita gente tem o costume de ler. Porém, comparando a proporção de leitores junto a grande massa populacional brasileira, é ainda um número pequeno, o que coloca os adeptos da leitura na categoria de undergroud.

Diante disto atrevo-me a blasfemar o seguinte:

Os críticos podem descer o cacete em autores como Paulo Coelho, Rowling, Mayer e genéricos. Mas penso que as aventuras (em sua grande parte bem medíocres) da obra auto-ajuda-exotérica de Paulo Coelho, a série Crepúsculo e o imbatível Harry Potter, têm papel fundamental para, quem sabe, serem portas de iniciação dos teens ao maravilhoso mundo da leitura.

Digo isto porque sou um assíduo usuário (não voluntário!) de transporte público. E fico fascinado ao ver no busão a grande quantidade de adolescentes com estas obras em mãos indo para a escola.


Sobre isto não tenho mais nada a acrescentar...

*    *    *    *

E aqui oficialmente começo a resenha do livro romeu@julieta.com.br!

Voltando os olhos para nosso celeiro tupiniquim, tive o prazer de ter em minhas mãos um criativo livro da autora Telma Guimarães.

Criativo pelo fato dela retratar um pequeno recorte da vida de um típico teen chamado Romeu (apelido Meuzão com nick Mettallica) que, como todo carinha de sua idade, tem em sua rotina uma vida colegial e virtual muito movimentada; temperada a muita azaração e (óbvio!) o sonho de todo garoto desta idade em ter uma banda de rock. Afinal, quem nunca ficou ouvindo Led Zeppelin na sala de casa usando um cabo de vassoura como guitarra se sentindo o último Jimmy Page do deserto?

Telma Guimarães consegue retratar a narrativa intercalando o mundo virtual e real de Romeu. É divertidíssimo as janelas de bate-papo que ela criou ocupando os espaços das páginas do livro mostrando para o leitor como Romeu desenvolve suas relações virtualmente.

Telma Guimarães

Ressaltando que o livro é de 1998, naquela época o MIRC tava bombando; e a conexão ainda era pela linha telefônica. Ou seja, se alguém tirasse o telefone do gancho puf! a conexão caía.

Então, para caras como eu que era um semi-pós-adolescente em 98, a leitura trará muita nostalgia. Principalmente pelos tipos de programas descrito pela autora.

Devido a velocidade com que o mundo virtual se tranforma, a autora deveria a cada cinco anos reformular os termos técnicos do livro. Como por exemplo trocar a janela de bate-papo do MIRC por um Messenger.

Enfim, achei muito criativo o livro de Telma Guimarães. Ela conseguiu colocar no papel uma dinâmica de narrativa que tornou a leitura muito prazerosa. Você nem sente que está lendo!

E que mais autores brasileiros tenham coragem de escrever livros para este público específico.

Aliás, devem até ter bons autores no Brasil para este público. Eu é que sou um completo ignorante nesta categoria de escrita literária. Réu confesso! 

A todos uma boa leitura!

19 agosto 2010

O livro do mala feio (e sem alça!) do Malafaia



Livro: A Extraordinária Presença de Jesus
Autor: Silas Malafaia
Editora: Central Gospel
Páginas: 58  

Silas Malafaia, depois dos imbatíveis R.R. Soares e clã Universal, é a figura religiosa que mais aparece na tv aberta brasileira.

Mesmo estando em terceiro lugar na corrida, Malafaia é um dos pioneiros no chamado formato tele evangelístico no Brasil (devidamente importado dos EUA, tinha que ser!), estando no ar há mais de 28 anos.

O autor é também presidente da Editora Central Gospel, que dentre muitos ítens no catálogo, estão dvd's, cd´s gospel e também (para variar!) livros.

Heil Jesus!
Silas Malafaia, vida alienada nas madrugadas! 

Minha sogra, assim como milhares de zumbis espiritualóides no Brasil, é uma sócio mantenedora do sr. Malafaia. Mensalmente dá uma generosa quantia em dinheiro; e como gesto de profunda gratidão, a Central Gospel a presenteia com um livro por mês.

E ela, como toda sogra que se preze, vê em mim um encosto na vida da filha. Todo dia ela fervorosamente ora para que eu abra meu coração e adicione Jesus no meu Orkut! Além das orações, ela, mensalmente, me repassa os livros que ganha do ungido Malafaia.

Como leio até bula de remédio e manual de instruções de liquidificador, resolvi dar uma chance ao verborrágico pastor. Pelo menos o livro não cospe enquanto fala!

Ainda por cima, tenho o péssimo hábito de só julgar algo quando leio (e tenho Paulo Coelho como testemunha!).

E infelizmente, o meu pré-conceito tinha razão.

A Extraordinária Presença de Jesus é apenas um folheto evangelístico de 58 páginas.

Não há personalidade no texto. Nem o mínimo traço da ironia e explosão, tão presentes nas pregações televisivas do autor (ele é comparado por alguns como o Ratinho evangélico pela forma tia velha dando xilique com que leva seus sermões!).

Conteúdo evangélico de qualidade para toda família!

Além de fraco conteúdo, o livro é feito com papel de péssima qualidade. Pelo menos já dá para saber que o dinheiro da sogra não chega à gráfica da Central Gospel.

Então é aquela velha e já saturada auto-ajuda evangélica: Com Jesus a vida é próspera e sem pÓbRemas! Sem Jesus você vai ser espeto de carne com farofa e vinagrete no inferno!

Deprimente!

Enfim, se você é evangélico e gosta de Silas Malafaia (o que não é meu caso, prefiro o INRI Cristo!) recomendo que você invista nos dvd's!

Ou então, nem gaste seu rico dinheirinho; segure o sono até pouco mais de meia-noite e deleite-se com as inflamadas gritarias gasguitas (e devidamente salivadas!) do autor nas intermináveis madrugadas da Band.

E é só!

P.s. - é sogrinha, não foi desta vez! Amém!

10 agosto 2010

Mayday, Mayday!


Livro: Saber Viver
Subtítulo: Risco de Vida
Autor: Sancler P. Santos
Editora: Biologia & Saúde
Páginas: 62

Era uma vez...

Um garoto de 3 anos que, na cozinha de casa, teve uma irresistível atração pela panela no fogão que estava fervendo uma porção de mingau. Ele se esticou, encostou no cabo da panela e... Bem, como era de se esperar, a panela caiu; parte do mingau quente pegou o joelho direito da criança que gritou de dor.

A mãe, em desespero, não teve dúvidas para amenizar a dor da criança; trouxe do banheiro seu remedinho aprendido por instrução dos antepassados. Aplicou Colgate de menta por cima da queimadura.

Esse garoto era eu. E uma das imagens mais marcantes que eu tenho deste fatídico dia foi ver, já no pronto socorro, a cara de indignação do médico ao ter todo um trabalho para remover o creme dental já endurecido do meu joelho. A dor indescritível que senti na remoção do creme dental foi maior que a queimadura em si. E até hoje carrego no meu joelho direito uma mancha branca.

Era uma vez...

Num belo açude no interior cearense, muitas crianças tomando banho, e algumas bem afoitas resolveram ir mais fundo. Uma delas se afogou. As outras crianças, amigos do afogado, gritaram por socorro. Imediatamente um adulto pulou na água e resgatou a criança afogada.

Colocaram a criança estendida na beira do açude e, pasmem, nenhum adulto presente fazia idéia do que fazer numa situação daquela. Até que alguém, num raciocinio digno de um cidadão de Lisboa, teve uma idéia brilhante e disse: Ora pois, se colocar a criança de cabeça para baixo, a água naturalmente vai descer pela boca!

A criança morreu. Se chamava Roberto (betinho) e era um de meus amigos de infância. E eu fui um dos  afoitos que entrou no açude com ele naquele dia.

Era uma vez...

Uma garota linda, universitária, que foi atropelada na calçada de uma avenida em Fortaleza por um motorista bêbado que perdeu o controle do carro. Algumas pessoas, no desespero, a socorreram imprudentemente e a colocaram dentro de um carro para deslocá-la ao hospital.

Hoje ela é paraplégica.

O curioso é que ela ficou assim não por conta do atropelamento em si, mas por ter a coluna rompida quando as pessoas imprudentemente mexeram no pescoço dela na agonia de socorrê-la. Se tivessem deixado o corpo intacto até os paramédicos chegarem, ela certamente estaria andando. O caso desta garota eu vi no jornal semana passada.

Era uma vez...

Um adolescente que se aventurou a subir numa serra com amigos. Esse lugar era muito distante da cidade. Ele caiu numa ribanceira e teve uma das coxas penetrada por um galho de árvore. Os amigos não tiveram dúvida, removeram o galho da coxa do rapaz. Ao remover o galho, uma artéria foi rompida, e isto o fez perder sangue rapidamente. Morreu poucas horas depois.

Agora a pergunta que vale 1 milhão de dólares!

O que estas quatro histórias têm em comum?

Resposta:

Se as pessoas que estavam perto das vítimas tivessem noções mínimas de procedimentos em primeiros socorros, o final destas histórias certamente não seriam tão trágicas!

Você sabia, por exemplo, que os acidentes domésticos são responsáveis por 1/4 da totalidade de acidentes mortais no mundo?

Certamente muitas mortes seriam evitadas se tivéssemos uma preparação básica de segurança preventiva e aplicação em primeiros socorros.


Este manual chamado Risco de Vida me chamou a atenção quanto a isso. Abriu meus olhos para perceber o quão sou ignorante e despreparado. Me fez ainda lembrar o quanto eu e pessoas queridas ao redor de mim estão constantemente expostas a riscos o tempo todo.

Óbvio que isto não deve necessariamente criar em nós uma paranóia. Ao contrário! O medo não é algo que existe para nos privar de vivenciar nossas experiências. O medo serve para nos dar prudência. É um aliado natural do nosso corpo. É o que me faz pensar que, os procedimentos que eu tomo entre o momento que ocorre um acidente e a chegada do socorro profissional pode fazer toda diferença entre a vida e a morte de alguém.

O manual Risco de Vida me ensinou um sem número de aplicações básicas que qualquer pessoa pode fazer. Você não precisa ser um Dr. House ou um salva-vidas saradão do S.O.S Malibu para dar a mínima assistência a um acidentado. E a gama de possibilidade são muitas: fraturas por quedas ou acidentes automobilísticos; picadas de animais peçonhentos; insolação; queimadura; ataques respiratórios ou epilépticos; afogamentos; cortes profundos; e por aí vai.


                  Quem disse que tenho que ser esse cara para salvar alguém?

Enfim, não digo que virei um especialista em primeiros socorros depois da leitura dessa instrutiva cartilha, mas aprendi bastante coisa. E pretendo aprofundar ainda mais meus conhecimentos nesta área. A vida é muito preciosa, e se por acaso acontecer alguma merda (até porque merdas acontecem o tempo todo) eu não queria ficar desesperado, impotente com a mão na cabeça sem saber o que fazer.

Pretendo (e recomendo a você) procurar algum corpo de bombeiros local para me informar sobre cursos básicos em primeiros socorros.

 Procure cursos sobre primeiros socorros num corpo de bombeiros perto de você!

E se eu encontrar algum político influente, certamente irei sugerir a idéia de tornar o tema Primeiros Socorros obrigatório em pelo menos uma das etapas do ensino fundamental ou médio.

E quanto à cartilha Risco de Vida, achei muito boa e com ótimas (e fortes) ilustrações. Mas asseguro-lhe que você encontrará bastante dificuldade para encontrá-lo à venda na praça. Certamente você encontrará outros livros com este tema. Na Internet por exemplo tem uma tonelada de manuais para você baixar.

Mais do que uma recomendação, faço desta resenha um apelo para que você pondere a possibilidade de dar uma lida sobre esse tema. Até porque sabe-se lá Deus se de repente eu possa sofrer algum tipo de acidente. E sinceramente, gostaria de encontrar alguém minimamente preparado para me socorrer.

E esse herói pode ser você, ó prudente leitor.

E que Deus nos proteja!      

p.s. - Semana passada eu conheci um fotógrafo especialista em sobrevivência na selva que me ensinou, dentre muitas coisas, a como se fazer uma fogueira usando um O.B. e como usar areia de formigueiro como repelente natural contra insetos. Vou garimpar o quanto antes livros sobre este tema! Logo logo vai ter resenha sobre isso!

21 julho 2010

Loucura para clarear o intelecto!






Livro: Dom Quixote
Subtítulo: Livro Primeiro e Livro Segundo (Coleção L&PM POCKET, vol. 400 e 401)
Autor: Miguel de Cervantes Saavedra (1547 - 1616)
Editora: L&PM POCKET
Páginas: vol. 400 (511p) / vol. 401 (518p) 

Gostei do livro.

Mas você corre o risco de não gostar dele de cara. Tem que ter perseverança. Porque Cervantes lhe ganha pela convivência.

Ainda mais se você leu a mesma edição que eu, da L&PM POCKET, em dois volumes, somando os dois livros quase mil páginas.

Sugiro que você dê ao livro um crédito de pelo menos 150 páginas. Se ainda assim ele não lhe seduzir, esqueça! Doe o livro para uma biblioteca pública perto de sua casa, e alugue um bom filme para desopilar.


Miguel de Cervantes
Avô do Monty Python 

Dom Quixote trata de um cara viciado em literatura de cavalaria, que depois de tanto ler esse gênero literário, pira o cabeção achando que é de fato um cavaleiro andante. Daí resolve sair pelo mundo atrás de aventuras (e desventuras) dignas de serem contadas! Sem esquecer que nesta jornada ele tem como companhia um escudeiro (tão doido quanto) chamado Sancho Pança.

Dom Quixote daria uma ótima série de tv (com várias temporadas), pois em quase todos os capítulos existem uma mini aventura. E acredite, Dom Quixote tem muitos capítulos!

À medida que você avança na leitura, pode sentir uma leve sensação de tédio. Mas não se preocupe, quando o tempo de leitura corre mais um pouco, você se vê como que acostumado com a companhia do livro e ele entra na sua rotina, se torna parte de você. (relevem o exagero!)

Demorei torno de um mês para concluir a leitura. E agora, estou aqui, às traças e órfão, com saudades do nobre cavaleiro e seu inseparável escudeiro.

Nem vou entrar no mérito da importância histórica do famoso folhetim de Cervantes. Para isto você tem o bom sabe tudo tio Wiki.

Se você é daqueles que, ao se deparar com um grosso volume de um clássico da literatura, já sente aquele calafrio na espinha pensando que, além da grossura, ainda vai ter que encarar uma linguagem difícil (para os cult's leia-se: linguagem sofisticada ou clássica), não se desanime, ó desocupado leitor. É normal! Você não tem do que se envergonhar. Há outras formas de você entender o personagem Dom Quixote sem necessariamente ter que ler os dois volumes do livro.

Uma delas é assintindo ao filme Don Juan DeMarco; com atuação bem convincente e marcantes de Jonny Deep e Marlon Brando.


Tá com preguiça de ler Dom Quixote?
Sem problema! 
Veja este filme!

Ou, se você quer uma coisa mais na real, acesse o Youtube e veja todas as entrevistas e participações em programas de tv do INRI Cristo, que, a meu ver, é um ótimo exemplar de um verdadeiro Dom Quixote dos nossos loucos tempos. E que, ainda por cima,  consegue ter uma legião de Sanchos Pança seguindo ele.

INRI Cristo!
Um Típico Dom Quixote Contemporâneo! 

Isso tudo, tomando um bom vinho vagabundo ao som de Balada do Louco dos Mutantes!

Então, para todos os loucos de plantão, o meu sincero lero lero lero!

E claro, boa leitura! Sempre!

Bônus Track: Balada do Louco (Os Mutantes)

17 julho 2010

A doce vingança da amarga Medéia


Livro: Medéia
Autor: Eurípedes ( 484 a.C. - 406 a.C.)
Editora: Martin Claret
Páginas: 109

Medéia e Jasão são aquele casal de vilães típico das novelas globais. Um casal que, como se costuma dizer aqui no nordeste, não são flor que se cheire.

Tanto que, depois de aprontarem todas (leia-se: traições, conspirações e assassinatos), foram expulsos de seu país de origem, fugindo para o exílio na cidade de Corinto, levando consigo apenas seus dois filhos.

Acontece que Medéia se vê trocada pela deliciosa filha do rei de Corinto. Como se já não bastasse, ainda foi convidada a, junto com os filhos, deixar a cidade de mala e cuia. Isto para que Jasão pudesse usufruir de tudo do bom e do melhor que as boas graças do rei e o fogoso leito da princesa poderiam lhe dar; sem ter o incômodo de ter uma ex-mulher lhe torrando a paciência.

Típico não!?

Eurípedes
Já fazendo jorrar sangue pelos areópagos gregos muito antes do Tarantino vir ao mundo!

Medéia então, com seu instinto feminino tomado por uma fúria incontrolável, junto a todas as forças hediondas de muitas tpm's somadas, resolve não levar desaforo para casa (leia-se: para outro exílio) e decide por acabar (expressão bem comum usada por mulheres furiosas) com a raça do pobre canalha desafortunado Jasão.

A personagem Medéia é de fazer a vingativa Beatrix Kiddo (Kill Bill vol. 1 e 2), a Flora (vilã da novela A Favorita) e Suzane von Richthofen (burguesinha paulista assassina dos pais) ficarem parecendo a Madre Teresa de Calcutá.

E, ao contrário das vilãs citadas, Medéia não é levada a sua sanguinolenta vingança por motivos de busca do poder (Flora), nem dinheiro (Suzane), tampouco a vingança pela filha morta (Beatrix). Medéia é movida pelos motivos mais primitivos do universo feminino:

Um leito desonrado!

Susane Von Richthofen
Comparada a Medéia, ela é a nora que toda mãe sonha ter!

Até que ponto uma mulher é capaz de chegar para fazer o seu marido infiel pagar caro por tê-la traído e abandonado?

É um livro perfeito para a namorada ou esposa desconfiada presentear o parceiro como uma forma de aviso prévio.

Para os cuecas de plantão, o livro pode ser extremamente instrutivo para que se possa perceber como a mulherada tem essa capacidade de ir da doce ternura (amor!) a um azedume vingativo (ódio!) num piscar de olhos.

Toda mulher é potencialmente uma Medéia, quando devidamente estimuladas pela nossa incurável canalhice; salvo, claro, as devidas proporções emocionais de cada uma.

Enfim, para todos uma ótima leitura, ou vingança, sei lá!

15 julho 2010

Uma aula sobre Jesus e seu legado histórico.


Livro: O Incomparável Cristo
Autor: John Stott
Editora: ABU (Aliança Bíblica Universitária)
Páginas: 250

John Stott, de forma clara e enxuta, escreve como poucos sobre a sinergia entre teologia, espiritualidade e cristianismo.

O autor sempre busca ter precisão e coerência doutrinária, de forma que agrade tanto o leitor leigo, quanto ao cristão já devidamente doutrinado por uma igreja protestante de tradição histórica.

Stott não complica, tampouco polemiza. Sua motivação, de forma sóbria e centrada, é esclarecer o leitor.

Isto o torna um dos teólogos ingleses mais respeitados e consistentes do século XX.

As dezenas de livros do autor sempre estiveram nas boas graças de boa parte dos acadêmicos da área de teologia. Sem contar as igrejas; mais precisamente as igrejas históricas como batistas, anglicanas, luteranas e presbiterianas.

O livro O incomparável Cristo é baseado em uma série de palestras ministradas por ele na Igreja de All Souls (em Londres), na virada do milênio. Ele falou sobre a pessoa de Jesus Cristo; sua importância e relevância para os dias de hoje, mesmo passados dois mil anos.

Particularmente, o que mais me fascina no autor é que ele, declaradamente, é um conservador (no sentido menos pejorativo da palavra). E  assim como o velho São Paulo, ele consegue ser como aquele velho xamã indígena, cheio de sabedoria, que faz esquecer a complexidade dos vícios relativistas, e remete o pensamento de volta a fascinante e encantadora simplicidade dos evangelhos.

                                          John Stott


Porém, atenção!

Ele procura ser claro e preciso, mas nem sempre consegue ser aquele escritor que tem aquele apelo de, página após página, seduzir o leitor (a exemplo de Lewis, Yancey, Lucado e cia).

Você deve encarar o livro como uma aula, pois Stott é muito didático.

E é recomendável ter uma bíblia por perto, pois dela extrai várias citações.

O livro divide-se em quatro partes:

1) O Jesus original

Onde Stott explora, sem meias verdades, como o Novo Testamento retrata Jesus.

2) O Jesus eclesiástico

Nesta sessão ele avalia as diferentes formas de como Jesus foi representado através de toda a história; viajando dos primeiros séculos do cristianismo até hoje.

3) O Jesus Influente

Depois de explorar as formas como Jesus foi representado nas mais diversas fases e movimentos da história da igreja, ele agora mostra como a vida e os ensinos de Jesus Cristo impactaram indivíduos que conseguiram mudar a realidade deles mesmos e das pessoas que os rodeavam.

Dentre as várias personalidades citadas estão Francisco de Assis, Leon Tolstoi, Gandhi, Madre Teresa e Luther King.

"Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são vocês, cristãos." (Mahatma Gandhi)


4) O Jesus eterno

Esta foi a parte que eu menos gostei.

Aqui, Stott explora os 22 capítulos do Livro de Apocalipse.

Ele defende que, no Livro de Apocalipse, o Espírito Santo através de São João, queria retratar Jesus e a igreja numa amplitude cósmica.

Por ser repleta de simbologia, o Livro do Apocalipse (ou Revelação) é de difícil compreensão. Além de dar margem a muitas controvérsias e interpretações bizarras.

São João, muito antes do festival de Woodstock, já recebendo inspiração (e instrução) para escrever o psicodélico Livro do Apocalipse.

Na sua forma britanicamente polida, Stott bem que tentou; conceituou as interpretações básicas das igrejas históricas (o que para um leigo deve ser fascinante). Mas a mim (já caduco de ir a igreja) não trouxe grandes novidades.

Gostei quando ele desmistifica alguns fragmentos ditos apocalípticos (leia-se proféticos) mostrando que, ao invés de prever o que ia acontecer no futuro, o Livro de Apocalipse falava diretamente para as igrejas perseguidas daquela época. E que tinha a intenção de, subliminarmente,  conscientizar aquela geração de cristãos perseguidos que Deus, apesar da sangrenta e implacável investida do Império Romano, não esqueceu de seus filhos. São João, ao escrever o Livro de Apocalipse, encoraja a igreja para que, mesmo diante da certeza da morte por execução por parte das legiões romanas, tivessem, para consolo de suas almas, a certeza da redenção; que a vida do cristão transcendia a temporalidade terrena; e que o sofrimento, nem de longe, se compara a maravilha de desfrutar a eternidade na glória, também chamado céu, paraíso, etc.

Então, caro leitor, recomendo O incomparável Cristo de John Stott a você que têm o desejo de aprimorar os conhecimentos sobre diversos aspectos de tudo o que possa representar a pessoa de Jesus Cristo.

Então, ao invés de desejar boa leitura, termino com uma saudação mais apropriada para quem lê John Stott:

Bons estudos!

12 julho 2010

Não Gostei!


Livro: Histórias Extraordinárias
Autor: Edgar Allan Poe (1809 - 1849)
Editora: Globo
Páginas: 254

E digo o porquê.

Histórias Extraordinárias é uma compilação de contos de mistério do consagrado escritor Edgar Allan Poe. Este americano é um dos pais da chamada literatura de ficção científica e fantástica modernas.

Não sou nenhum crítico profissional de literatura, menos ainda um intelectual de primeira. Longe disso. Sou um mero leigo que, quando lê, tem como únicas sensações o fato de  gostar ou não.

Histórias extraordinárias é, de fato, incrivelmente bem escrito. Talvez, para o leitor da época, acostumado com aquele tipo de linguagem, devia ser, pela forma como ele escreve, uma coleção de contos muito, no mínimo, fascinantes.

O cara é famoso, e certamente influenciou um sem número de outros escritores após ele.


                                          Edgar Allan Poe

Mas para mim, já contaminado com a linguagem cinematográfica e com escritos de suspense do Stephen King, achei Edgar Allan Poe cansativo.

Não gosto de autores descritivos demais. Como descrever que tipo de formato o vapor que a xícara com café quente produz enquanto os personagens conversam. Ou as descrições minuciosas dos móveis e objetos da casa. 

Tá, eu sei, Stephen King também é assim e eu adoro ele. Mas por vezes Edgar Allan Poe torna isso um exercício quase insuportável.

Para não ser de um todo injusto e ranzinza, teve alguns contos desta compilação que eu gostei. Aliás, poderia até mesmo usar este espaço para comentar conto por conto. Mas não vou fazer.

Alguns contos me cativaram, mas não de forma surpreendente. Foi algo do tipo - Há tá, saquei! entendem?

Mas, quem sabe, este tipo de escrita seja por demais sofisticado para um cara como eu. Quem sabe a experiência seja diferente para você. Sei lá.

Então vou tomar a liberdade de afirmar que não gostei. E dizer que, se você quer ler um livro de suspense, por puro entretenimento, que lhe instigue a imaginação (por que essa foi minha expectativa diante deste livro), eu não recomendo Histórias Extraordinárias para você.

Mas esta foi a única obra que li dele.

Afirmo isso antes que você proteste dizendo que eu não li a obra toda dele. Fique à vontade para indicar outro trabalho dele, que eu procurarei ler com todo o prazer. Até porquê, sou daqueles que acreditam piamente que nem sempre a primeira impressão é a que fica.

Paulo Coelho que o diga.

Aguardo sugestões!

09 julho 2010

Filosofia para Leigos


Livro: Iniciação à História da Filosofia
Subtítulo: Dos Pré Socráticos a Wittgenstein
Editora: Zahar
Páginas: 304

O que me fez gostar de ler este livro é que o autor, de forma muito clara, polida e direta, atingiu o objetivo a que se propõe: escrever a história da filosofia abarcando dos pré-socráticos a filosofia moderna, pensando prioritariamente no leitor leigo nesta área, assim como nos iniciantes acadêmicos no árido estudo da filosofia.

Confesso que filosofia não é minha praia. Comecei o curso a uns dois anos e  me vi (devido a minha incapacidade de assimilação, confesso) obrigado à  abandoná-lo.

Mas mesmo assim, sei da importância (pelo menos, para os aficcionados por leitura) de ter uma noção básica de como se desenvolveu a maneira de pensar o pensar no decorrer dos séculos.

Então, se você é daqueles que não tem paciência para ler um grosso volume de história da filosofia com aquela linguagem acadêmica sacal, mas também acha que O Mundo de Sofia já é frescura demais, eis aí o livro ideal para você caro leitor.

Boa leitura!

02 julho 2010

Um Cabra de Deus na terra do Sol




Livro: As Faces de um Mito
Subtítulo: A Fascinante História de um Cabra de Deus na Terra do Sol
Autor: Carlos P. Queiroz
Editora: Vinde
Páginas: 278  

Este livro caiu em minhas mãos à muito tempo. Presente do próprio autor, que de uns anos para cá têm se tornado, além de amigo, uma agradável companhia na caminhada espiritual.

O livro é, basicamente, uma biografia de seu falecido pai, pastor João Queiroz, um dos pioneiros do protestantismo no sertão do Rio Grande do Norte e Ceará.

Sendo que ele, o que já dá para perceber pelo nome, não é um missionário gringo que veio dos EUA ou Europa para propagar o evangelho aos nativos. Ele é um típico sertanejo pobre, que como todos os outros, experimenta das benesses e dessabores da sequidão e aridez da caatinga.

Principalmente, trata das inúmeras histórias de providência e consolo de Deus em meio a todos os percalços de sua vida, como a morte prematura de sua esposa, que lhe deixou mais de uma meia dúzia de filhos para criar sozinho, além do óbito de parentes por conta de doenças ou acontecimentos diretamente relacionados a seca nordestina.

E mais; a luta na labuta do cultivo da terra, adversidades políticas, conversas com cangaceiros, êxodo rural, orações atendidas e não atendidas, perseguições religiosas e claro, muitas outras aventuras e desventuras.

O livro leva por vezes você às lágrimas, e por outras à muitos risos. Pois apesar da vida difícil, como um bom nordestino, pastor João Queiroz contava tudo regado à muito humor.

Na mesma semana que resolvi ler o livro As Faces de Um Mito fui a uma grande livraria local e fiquei lá dando uma folheada na biografia dos Beatles. Vendo a grossura da biografia daqueles titãs da música pop mundial, olhei de repente para o livro As Faces de um Mito com um certo desdém.

O que teria de interessante na vida de um nordestino no meio do nada, perdido no sertão do Rio Grande do Norte e Ceará?

Lembrei-me no mesmo instante do que diziam acerca de Jesus:

E por acaso pode vir alguma coisa que preste de Nazaré?

E resolvi colocar o pré-conceito de lado e prossegui na leitura.

Carlos Queiroz conta uma boa história como ninguém. E, página por página, você vai se deliciando com os inúmeros causos que aconteceram durante esta peregrinação de quase um século do pastor João Queiroz.

A sensação que você têm lendo o presente livro é de estar num alpendre de uma casa no sertão, ouvindo seu avô contando histórias.

Como me surpreendi!

Não há limites para alguém viver uma boa história!

Seja em Liverpool, Hollywood ou sertão do Brasil. Onde há gente, há certamente boas histórias para contar!

Então, como um grande admirador de biografias, recomendo este livro!

Boa leitura!

* Desenho de Jonas Gomes, confira esses e outros trabalhos no site:  http://www.flickr.com/photos/jonasgomes/

23 junho 2010

Um Clássico do Velho Buck!



Livro: Hollywood
Autor: Charles Bukowski (1920 - 1994)
Editora: L&PM POCKET
Páginas: 245

Você!

É, você mesmo!

Imagine-se perambulando em alguma periferia pobre, ou num grande centro de alguma capital.

Então você se depara com bêbados, prostitutas, velhas desagradáveis, vagabundos, gente aí, jogadas na rua sem propósito.

E mais! Some estes personagens citados à brigas em bares imundos, gritos, palavrões, vômitos, chutes, cacos de vidros espalhados pelo chão, cafetões mal encarados, e tudo o que de mais mazelado sua limpa imaginação pode pensar.

Você vê tudo isso e pensa: Credo, Deus me livre!

Mas Charles Bukowski olha para esse cenário e pensa: Porra! Isso daria uma ótima história!

Esta era a natureza por trás da literatura de Bukowski.

O cara foi praticamente canonizado como o santo padroeiro dos bêbados e vagabundos!

Bukowski, como um bom bêbado encrenqueiro que era, tinha em boa parte do que escrevia um toque auto-biográfico.

Este bêbarrão, como ninguém, conseguia retratar com um realismo que beira ao desespero e, acreditem, ao humor, os mazelados e marginalizados.


                     Bukowski em casa, inspirando-se para escrever.

No caso de Hollywood, trata-se de um romance inspirado na experiência que o autor teve, desafiado por um produtor excêntrico, de escrever um roteiro para o cinema. É muito divertido ver os bastidores de Hollywood sob as lentes dele!

Definitivamente, um verdadeiro clássico de Bukowski.

Neste presente blog, a umas postagens atrás, resenhei sobre um filme brasileiro chamado A Casa de Alice. Escrevi sobre o fato de gostar de filmes que retratam a vida sem maquiagem, nua e crua!

Segue abaixo um pequeno fragmento da resenha acima citada, e com isso me despeço:

Sou, por natureza, um grande pessimista!

Penso que, devido a minha própria condição, sempre tive predileção por livros e filmes que retratassem a desesperança. Porque, pra ser bem franco, é mais fácil acreditar nela.

Daí vem minha doente atração pelos perdedores.

Por isso sou apaixonado pela literatura de Charles Bukowski (1920-1994), escritor americano considerado o grande profeta dos perdedores e mazelados deste mundo sem sentido.

Bukowski revela e esmiuça o anti-sonho americano; um mundo de marginais, viciados, bêbados e prostitutas, dos quais só não se pode dizer que estão na sarjeta porque sempre decaem um pouco mais.

Assim como na história do filme A Casa de Alice e minha própria vida, Bukowski descreve as pessoas tal qual na vida real, retratadas de forma triste, divertida, escatológica e universal, em toda sua vulgaridade e realidade.


Boa Leitura!

20 junho 2010

Gostei e recomendo!



Livro: A Bíblia de Jerusalém
Autor: Vários
Editora: Paulus
Paginas: 2206

Minha família é um misto de religiosos católicos e protestantes. Se você, mesmo que superficialmente, é conhecedor do universo que existe no convívio destas duas religiões, já deve imaginar como deve ser o circo.

Dentre as controvérsias ridículas que se discutem, sempre vêm à tona a questão da bíblia, principalmente quando alguém usa de algum argumento retórico baseado nela, seguido do argumento do outro Mas essa bíblia é dos crentes, e não católica... e vice-versa.

Desde criança, o imaginário em torno das histórias bíblicas sempre fizeram parte da minha rotina. Jesus Cristo, mais do que ninguém, sabia contar uma boa história. Tanto que era famoso por suas famosas parábolas, que são utilizadas na nossa linguagem popular até hoje.

Para usar apenas um exemplo, se você passar um bom tempo sem ir à casa de alguma tia ou avó sua, a primeira coisa que ela vai lhe dizer depois de tanto tempo é Olha só, o filho pródigo voltou!

Apesar de sempre gostar de ler a bíblia (pois ela forjou no meu caráter a disciplina de leitura) nunca fui muito chegado à religiosidade de minha família. Quando lia a bíblia queria ler uma boa história, aprender algum princípio legal que me trouxesse sabedoria. E não procurar uma forma de destruir o argumento e idéia do outro.

Por ver tantas conversas idiotas sobre as mais diversas traduções, somado a minha incurável curiosidade, resolvi ler as duas traduções para ter minhas próprias conclusões. Então li a tradução evangélica de João Ferreira de Almeida, e logo depois li a versão católica traduzida pelos Monges Capucchinos.

E a que conclusão cheguei?

Adivinha!?

Era praticamente a mesma coisa!

A diferença era que uma dizia Então Jesus lhes disse e a outra dizia Lhes disse Jesus então.

Tanto numa como noutra o princípio textual era o mesmo.

Claro que há os chamados livros apócrifos nas versões utilizada pelos católicos, mas em nada isto interfere no restante. Além do que, os livros apócrifos também está repleto de boas histórias e bons princípios. Mas por estas não serem aceitas no cânon oficial dos judeus, os protestantes nunca adotaram elas. Outro motivo também foi por que os livros apócrifos foram adicionados na época da contra-reforma, que foi uma ofensiva católica contra a reforma de Lutero, mas isto é uma outra história.

Muita gente já matou ou foi morta por conta da forma como algumas pessoas leram e interpretaram a bíblia. Outras tantas foram diferenciais em momentos de grandes crises morais e humanas e, por influência da bíblia, salvaram e transformaram muitas vidas.

Charles Manson, além da bíblia, tinha no Álbum Branco dos Beatles boa parte da inspiração para cometer assassinatos em série no fim da década de 60. Dentre as vítimas está a atriz Sharon Tate, mulher do diretor de cinema Roman Polanski. E nem por isso você vai achar que ouvir Beatles é nocivo né?



                                 Charles Manson, psicopata americano 
                                 que tinha na bíblia e no Álbum Branco
                                dos Beatles sua maior fonte de inpiração
                                               para assassinar.

Ela (a bíblia) tem esse poder de destruição ou edificação dependendo diretamente dos olhos de quem a lê.


Um filme que pode lhes dar uma boa idéia do que estou falando é O Livro de Eli.

Mas então? Tudo isto torna a bíblia detestável?

Muito pelo contrário. Isso a torna fascinante!

Eu costumo dizer que a bíblia é o livro não lido mais comentado no planeta. Pois todos tem uma opinião sobre ela, mas poucos de fato a leram. Neste público, certamente está incluído boa parte dos cristãos brasileiros.

Mas, acima de todas estas controvérsias religiosas ou embates em torno de veracidade histórica Vs. mitologia, a bíblia é um livro que merece ser lido. Ela conta a história de Deus e de um povo. Povo esse composto por personagens ridiculamente humanos, com virtudes e defeitos, e, exatamente por isto, extremamente fascinantes.

Acho que, independente se você é religioso ou não, ou se você a encara como algo real ou fictício, a leitura deste conjunto de livros deveria ser obrigação para todo amante da leitura assim como clássicos da literatura grega antiga e obras-primas mais contemporâneas como Dom Quixote, Crime e Castigo, O Senhor dos Anéis, etc.        

Enfim, quanto a estas questões acho que não tenho mas nada a lhes acrescentar.

                                             Filme O Livro de Eli
                           O Bem e o Mal estão nos olhos de quem lê!

Então, vamos ao livro! Finalmente!

Logo no texto de introdução desta A Bíblia de Jerusalém li algo que, de cara, me chamou a atenção:

Após três anos de árduo e intenso trabalho, realizado por uma equipe de exegetas católicos e protestantes e por um grupo de revisores literários, pudemos entregar ao público a tradução do Novo Testamento. Cinco anos mais tarde, as mesmas equipes tinham ultimado a tradução do Antigo Testamento. Assim os leitores puderam ter acesso à Bíblia de Jerusalém em sua edição integral.

Esta louvável sinergia entre católicos e protestantes no trabalho de tradução logo me instigou. Existem várias traduções da bíblia em português. E digo logo que todas elas (incluindo esta da qual eu resenho) tem muitas imprecisões e erros.

O diferencial neste projeto é que, já que se trata de uma ação conjunta, têm-se a idéia de que eles não são levados por proselitismo e intenções tendenciosas de fazer a tradução favorecer mais a um grupo em detrimento de outro, ou outros, já que o cristianismo é, sem sombra de dúvida, uma das religiões mais ramificadas que existem.

Não estou dizendo que ela não é tendenciosa nem têm lá suas imprecisões. A diferença é que, se tiver, elas não são tão absurdamente gritantes como muitas outras. E o que senti na leitura dela foi que essa sinergia de estudiosos foram motivadas por uma sinceridade acadêmica na busca de uma boa tradução.

Sou um amante confesso da bíblia, não só como leitor de fé, mas também como um fã literário. Acho importante, principalmente para os aventureiros do campo da teologia, terem pelo menos umas 5 traduções da bíblia, pelo motivo da diferença entre linguas serem muitas e, tanto no grego quanto no hebraico, a tradução estar sujeita a tanta controvérsia, pois um termo em grego ou hebraico pode ter uma infinidade de significados na lingua portuguesa.

Nesta Bíblia de Jerusalém, por vezes, os tradutores se preocupam tanto com a questão do sentido exato que se perde a poesia que se têm em traduções mais populares. As notas de rodapé e as introduções dos livros se preocupam em esclarecer a historicidade e muitas vezes até as dificuldades de tradução em cima de falhas nos fragmentos originais, e não há tentativas forçosas em dar interpretações, à exemplo de outras bíblias de estudos.

Li esta Bíblia de Jerusalém num período de quase 2 anos. E não me arrependi.

Como todo aventureiro que se coloca a ler a bíblia, me cansei algumas vezes, me empolguei outras tantas e hoje, finalmente, concluí a leitura. E certamente vou adotá-la como bíblia de referência!

Então, para os pretensos candidatos a enfrentar 2206 páginas, ou para aqueles que querem uma bíblia que tenha uma certa exatidão ou aproximação do original, eis aí o livro!

Boa Leitura!

14 junho 2010

Filosofia para acadêmicos, e nada mais...




Livro: História da Filosofia volume 1
Subtítulo: Antigüidade e Idade Média
Autor: Giovanni Reale e Dario Antiseri
Editora: Paulus
Páginas: 693   


Sou, definitivamente, um estudante de filosofia frustrado.

E vou dizer o porquê.

Sempre gostei de literatura, principalmente romances e biografias. Nunca fui muito chegado a livros de estudos sistemáticos. E foi justamente esse fator sistemático que (desculpem o termo) me Ferrou quando aventurei-me a cursar teologia e filosofia.



Só conhecia a teologia e a filosofia através de citação na literatura.

Sabe quando você está lendo um romance qualquer, e em meio a diálogos acontece do personagem falar: -...isso porquê, caro Robert, como diz o sábio Sócrates, só sei que nada sei!

E bingo!

Você pensa: - Nossa, que bonito, filosofia deve ser uma coisa espetacular!

Porém, quando me aventurei a, academicamente, mergulhar de cabeça nestes dois cursos, e passei a lidar diretamente com longos tratados  filosóficos e teológicos, meu mundo veio abaixo, uma vez que boa parte dos tratados filosóficos e teológicos (certamente devido a minha limitada capacidade na massa cinzenta somado a uma incorrigível preguiça, confesso...) serem incompreensíveis a minha assimilação.




Principalmente para quem não tinha a mínima noção das mais diversas correntes filosóficas no decorrer dos séculos. Eu disse séculos.

Na medida do possível, esse História da Filosofia volume 1 me ajudou a, pelo menos, mapear um pouco o que se produziu em filosofia até meados do fim da Idade Média. E pretendo parar por ai, e não vou comprar o volume 2 e 3. Mesmo!

Mas se você é um acadêmico de filosofia que adora o que estuda, certamente vai estar adquirindo um livro muito bom, pois os autores mergulham fundo em cada filósofo, esmigalhando tudo e mais um pouco. A linguagem também não é obscura. Então vale à pena e é quase obrigação essa coleção de 3 volumes estar na estante de qualquer apaixonado estudante de filosofia.


                             "PLatão é um pLato bem gLande pLofessoLa!"
                                      Cebolinha numa aula de filosofia.

Mas para você que, assim como eu, está naquela angústia existencialista de saber que a Vita é Brevis, e acha que no mundo têm clássicos demais da literatura para ler antes de bater às botas, mas mesmo assim quer se situar um pouco nos conceitos elementares dos principais filósofos, o folhetim O Mundo de Sofia dá para o gasto!

Portanto Boa Leitura! Ou não...

11 junho 2010

As lentes de Yancey





Livro: O Jesus que eu nunca conheci
Autor: Philip Yancey
Editora: Vida
Páginas: 324


Basicamente, quando me tornei cristão, dois livros foram parar em minhas mãos; a Bíblia Sagrada e o livro do Yancey O Jesus que eu nunca conheci.

Tive sorte...

Porque hoje, com a literatura cristã viciada em fórmulas fáceis, gurus neo-pentecostais vomitando em livros as mais variadas fórmulas de se alcançar a espiritualidade x ou a unção y, fazem com que, boa parte da literatura cristã lida se enquadre em um nível tão medíocre e superficial quanto a auto-ajuda. Se não até pior.

Yancey não é um guru moderno. Não é um super-pastor cheio do "poder". Nem fala como o sabe-tudo que, seguindo o que ele faz e diz, tudo vai dar certo.

Não, longe disso.

Yancey é jornalista e escreve como um jornalista e, acima de tudo, tem a sede de um curioso. Sempre parte para a pesquisa sobre qualquer assunto que escreve do zero. E isso dá para sentir na sua escrita neste livro. Ele vai aprofundando aos poucos, fuçando, descobrindo...  
                         
                                                       Philip Yancey

O Jesus que eu nunca conheci é um livro muito bom, principalmente para pessoas que acham que já sabem o suficiente sobre o Carpinteiro de Nazaré, ou para aqueles que, devido a anos de freqüência em uma igreja convencional, não conseguem mais encontrar o encanto e o deslumbre na pessoa de Jesus. É um livro de descoberta de novos paradigmas. Ou a identificação de paradigmas que você tinha mas não ousava compartilhar com ninguém. Então a sua reação vai ser: - Nossa, nunca tinha olhado Jesus desta forma! ou - Caramba, eu sempre achei que fosse assim, ele pensa igual a mim, não estou sozinho!

Yancey não foge à questões difíceis, tampouco se atém a amenidades. Ele mergulha fundo, e sem medo lhe convida: - Ei cara, vamos nessa comigo, coragem!

Óbvio que, no começo desta resenha, quando discorri sobre a literatura evangélica atual, não queria desmerecer uma infinidade de autores muito bons que existem. Mais uma coisa é a verdadeira música boa, outra coisa é um hit pegajoso das FM's da vida. Entenderam?

Como diz o velho John Stott: - Crer é também pensar.

Então, de todo coração, com uma afirmação levado (não nego) por um laço de profunda gratidão pelo autor, recomendo a leitura de O Jesus que eu nunca conheci.

Obrigado Yancey, por me emprestar suas lentes e me fazer ver e perceber a redescoberta do Mestre Carpinteiro.

Quando você, cristão, pensa que já sabe tudo sobre Deus, Ele deve olhar para você, ficar com aquele sorriso de canto de boca a pensar: - Não sabes ainda nada filho... Não sabes ainda nada...

Abraço a todos e boa leitura!

09 junho 2010

Yancey, Velho Companheiro






Livro: A Bíblia, minha companheira
Subtítulo: 366 leituras e reflexões sobre histórias, personagens, lugares e significados do Livro dos livros
Autor: Philip Yancey e Brenda Quinn
Editora: Vida
Páginas: 366

Tenho 28 anos, e desde os 15 sou cristão. Lembro que, logo quando comecei a estudar os evangelhos, ganhei meu primeiro livro do Yancey “O Jesus que eu nunca conheci”, e desde então Yancey têm sempre feito parte de minhas leituras. Quando saiu o livro "A Bíblia, minha companheira" fiquei feliz em saber que seria em forma de meditações diárias.

E realmente fiz todas as meditações durante 1 ano.

Confesso que, por muitas vezes, devido a correria do dia-a-dia, eu não me aprofundei nas meditações, mas apenas passei o olho, o que me fez não aproveitar tanto o livro como deveria.

Agora estou relendo-o com minha namorada, na verdade não só relendo, mas estudando à fundo, e sem a pressão de ser uma coisa diária (em torno de 2 vezes na semana) e tem sido uma experiência satisfatória.

Enfim, se você comprar esse livro vai estar adquirindo um ótimo livro de meditações diárias. Mas aconselho que, se seu tempo for corrido e você for ler às pressas, não vai absorver tudo o que ele tem para lhe dar. É livro para ler com calma, e funciona tanto para leituras individuais como em grupos.

Ele percorre toda a Bíblia (de Gênesis à Apocalipse) lhe dando uma boa perspectiva da Bíblia como um todo, destacando que ele (Yancey) não se limita a obviedades, como fazem muitos escritores, tampouco foge de passagens difíceis e por demais polêmicas. É Yancey!

Para os que conhecem o autor, vai ser legal ler a Bíblia junto de um cara que tem uma visão muito clara das coisas relacionadas a cristandade. Para quem não conhece Yancey e não tem familiaridade com a Bíblia, por achar difícil, complicada e obscura, é uma boa oportunidade de dar um passeio pelas Escrituras, tendo em Yancey um professor paciente e esclarecedor.

Cada estudo tem um texto bíblico (só a citação, portanto você precisa de uma Bíblia junto para ler as passagens), seguido do texto, e ao final tem perguntas para você meditar.

Você está convidado a encontrar muitos tesouros preciosos na Bíblia lendo-a com um (pelo menos para mim) dos bons pensadores cristãos da atualidade.

Então, boa leitura!